34.º Festival de Almada

A 34.ª edição do Festival de Almada foi apresentada, no dia 23 de junho, na Casa da Cerca. A sua programação conta com a participação dos alunos finalistas da Escola Superior de Teatro e Cinema, que sobem ao palco da Sala Estúdio do Teatro D. Maria II, com a peça “Primeira Imagem”.

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António Lagarto, antigo Professor e dirigente da ESTC, irá ser homenageado no decorrer do Festival, com uma Exposição de Homenagem, que irá estar patente de 4 a 18 de julho, na sala polivalente da Escola D. António da Costa.

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Nova editora on line na ESTC

A Escola Superior de Teatro e Cinema passou a ter uma editora on line – ESTC Edições – que publicará textos de professores, alunos e  investigadores ligados à Escola e/ou seus próximos. Os livros, cujo download é livre, destinam-se em primeiro lugar a apoiar os ensinos ministrados na ESTC, mas os seus temas podem alargar-se a áreas mais vastas, respeitantes à diversidade dos estudos contemporâneos em Teatro e Cinema. A editora inaugura o seu trabalho com textos de antigos alunos da Escola:

L’incompossibilité au cinéma : rendre l’incompossible possible , de Bárbara Janicas

The end has no end: framing death and the phenomenology of dying in documentary cinema, de Carlos Pereira

Intermedialidade cénica: as margens da experiência estética do teatro, de Filipa Chambel

The One Who Knocks: The Hero as Villain in Contemporary Televised Narratives, de Maria João Brasão Marques

 

Para aceder clique aqui

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Antigo Aluno da ESTC premiado em Cannes

A ESTC felicita o seu antigo aluno, Pedro Pinho, pela conquista, no Festival de Cannes 2017, do Prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, com o filme “A fábrica de nada”.

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Antigos alunos da ESTC premiados no Indie 2017

A ESTC felicita os seus antigos alunos Miguel Clara Vasconcelos, Diogo Baldaia, Jorge Jácome e André Gil Mata pelos prémios obtidos na competição nacional do festival IndieLisboa 2017. Miguel Clara Vasconcelos ganhou o prémio para a Melhor Longa Portuguesa com Encontro Silencioso (produzido pela C.R.I.M.). Diogo Baldaia ganhou o prémio para a Melhor Curta Portuguesa com Miragem Meus Putos (produzida pelo realizador, Maura Carneiro e Manuel Rocha da Silva). Jorge Jácome recebeu o prémio Novo Talento com a curta Flores (produzida pela Black Maria). André Gil Mata ganhou, ex-aequo, o prémio Árvore da Vida, paralelo ao festival e atribuído pela Igreja Católica, com a curta Num Globo de Neve (produzida pelo realizador). A ESTC felicita também o seu antigo aluno Jorge Cramez pela sua participação no festival com a nova longa-metragem Amor Amor (produzida pela C.R.I.M.), que, embora não premiada, teve ali uma forte presença.

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Ex-aluno da ESTC distinguido

A obra dramática ELA NÃO GOSTAVA DE FLORES, da autoria de A. Branco, recente ex-aluno da ESTC, no mestrado em Teatro, especialização em Artes Performativas, foi distinguida com Menção Honrosa pelo júri da 20ª edição do Grande Prémio de Teatro Novos Textos 2016, da Fundação INATEL. O texto inédito agora distinguido integrou o relatório de projeto final, no domínio das Escritas de Cena, defendido por A. Branco para a obtenção do grau de mestre.
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Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2017

 


International Theatre Institute ITI

World Organization for the Performing Arts World
Theatre Day Message 2017

 

Isabelle Huppert, France (tradução a partir da versão original)

Já passaram 55 anos desde a primavera em que se celebrou pela primeira vez o Dia Mundial do Teatro.

Esse dia, ou seja, essas 24 horas começaram no Teatro Nô e Buranku, passaram pela Ópera de Pequim e pelo Kathakali, passaram entre a Grécia e a Escandinávia, foram de Ésquilo a Ibsen, de Sófocles a Stringberg, passaram entre a Inglaterra e a Itália, foram de Sarah Kane a Pirandello. Passaram, entre outros países, pela França, onde nos encontramos, e por Paris que continua a ser a cidade do mundo que recebe o maior número de companhias estrangeiras. Em seguida, as nossas 24 horas levaram-nos da França à Rússia, de Racine e Molière e a Tchékhov depois, atravessando o Atlântico, chegaram a um campus universitário californiano onde as pessoas podem, quem sabe, reinventar o Teatro. Porque o Teatro renasce sempre das cinzas. Ele não passa de uma convenção que temos de constantemente abolir. É por isso que continua vivo. O Teatro tem uma vida irradiante, que desafia o espaço e o tempo, as peças mais contemporâneas são alimentadas pelos séculos passados, os reportórios mais clássicos tornam-se modernos de cada vez que os encenamos.

Uma Jornada Mundial do Teatro não é, evidentemente, como um dia banal das nossas vidas quotidianas. Esta Jornada faz reviver um imenso espaço-tempo e para evocar esse espaço-tempo, vou socorrer-me de um dramaturgo francês, tão genial como discreto, Jean Tardieu. Cito-o: — ” Para o espaço ele pergunta qual é o caminho mais longo de um ponto para outro ….Para o tempo sugere medir em décimas de segundo o tempo que demora pronunciar a palavra «eternidade».

Para o espaço-tempo ele diz ainda: “Fixai no vosso espirito, antes de adormecer, dois pontos quaisquer no espaço e calculem o tempo que é preciso para, em sonho, ir de um ponto ao outro”. É a expressão “em sonho” que retenho. Poderíamos dizer que Jean Tardieu e Bob Wilson se encontraram. Podemos também resumir o nosso Dia Mundial do Teatro evocando Samuel Beckett que pôs a Winnie a dizer, no seu estilo expedito: “Oh que lindo dia que poderia ser.” Ao pensar nesta mensagem, que me fizeram a honra de me pedir, lembrei-me de todos esses sonhos de todas essas cenas.

Então, não chego sozinha a esta sala da UNESCO: todas as personagens que representei me acompanham, os papéis que pensamos que nos abandonaram quando acaba, mas que têm em nós uma vida subterrânea, prestes a ajudar ou a destruir os papéis que lhes sucedem: Fedra, Araminta, Orlando, Hedda Gabbler, Medeia, Merteuil, Blanche Dubois… Acompanham-me, também, todos os personagens que amei e aplaudi como espectadora. E nesse lugar, pertenço ao mundo inteiro. Sou grega, africana, síria, veneziana, russa, brasileira, persa, romena, japonesa, marselhesa, nova-iorquina, filipina, argentina, norueguesa, coreana, alemã, austríaca, inglesa, isto é, o mundo inteiro.

A verdadeira mundialização é esta.

Em 1964, por ocasião desta Jornada Mundial do Teatro, Laurence Olivier anunciou que, depois de mais de um século de combate, se conseguira, por fim, criar em Inglaterra um Teatro Nacional, que ele quis imediatamente que fosse um teatro internacional, pelo menos no seu repertório. Ele sabia bem que Shakespeare pertencia a todo o mundo no mundo.

Adorei saber que a primeira mensagem destas Jornadas Mundiais do Teatro, em 1962, fora confiada a Jean Cocteau, escolhido por ser, como se sabe, o autor de “uma volta ao mundo em 80 dias”. Eu fiz a volta ao mundo de uma outra maneira: fi-la em 80 espectáculos ou em 80 filmes. Digo filmes porque não faço nenhuma diferença entre representar no teatro e representar no cinema, o que surpreende sempre que o digo, mas é verdade, é assim. Nenhuma diferença.

Falando aqui, não sou eu própria, não sou uma actriz, sou apenas uma das numerosas pessoas graças às quais o Teatro continua a existir. É um pouco o nosso dever. E a nossa necessidade: Como dizer: Nós não fazemos existir o Teatro, é graças ao Teatro que nós existimos O Teatro é muito forte, resiste, sobrevive a tudo, às guerras, às censuras, à falta de dinheiro. Basta dizer: “O cenário é um palco nu de uma época indeterminada” e de chamar um actor. Ou uma actriz. Que vai ele fazer? Que vai ela dizer? Irão falar ? O público espera, vais já saber, o público sem o qual não há Teatro, não nos esqueçamos. Uma pessoa no público é um público. “Não muitas cadeiras vazias, esperemos! Salvo em Ionesco… No fim, a Velha diz: “Sim, sim morramos em plena glória…. Morramos para entrar na lenda… Ao menos teremos a nossa rua…”

A Jornada Mundial do Teatro existe há 55 anos. Em 55 anos serei a oitava mulher a quem é pedido para fazer uma mensagem, enfim, não sei se a palavra “mensagem” é apropriada. Os meus antecessores (o masculino impõe-se!) falaram sobre o Teatro da imaginação, da liberdade, da origem, evocaram o multicultural, a beleza, as questões sem respostas… Em 2013, há somente quatro anos, Dario Fo disse: “ A única solução para a crise reside na esperança de uma grande caça às bruxas contra nós, sobretudo contra os jovens que querem aprender a arte do teatro: nascera assim uma nova diáspora de actores, que irá sem dúvida retirar desta situação, benefícios inimagináveis para a criação de uma nova representação.” Benefícios inimagináveis é uma bela formula digna de figurara num programa politico, não? … Já que estou em Paris, pouco antes de uma eleição presidencial, sugiro aqueles que têm ar de quem nos quer governar que estejam atentos aos benefícios inimagináveis que traz o Teatro. Mas nada de caça às bruxas!

O Teatro, para mim, é o outro, é o diálogo, é a ausência de ódio. A amizade ente os povos, não tenho bem a certeza o que quer dizer, mas acredito na comunidade, na amizade dos espectadores e dos actores, na união de todos que o teatro une, nos que o escrevem, naqueles que o traduzem, nos que o iluminam, vestem, o cenografam, nos que o interpretam, nos que o fazem, naqueles que o vão ver. O teatro protege-nos, abriga-nos…. Acredito totalmente que ele nos ama … tanto quanto nós o amamos …. Lembro-me de um velho ensaiador à antiga que, antes do levantar da cortina, dizia, todas as noites nos bastidores, em voz firme: “Lugar ao Teatro!”. Esta será a palavra final. Obrigada.

Tradução: Margarida Saraiva
Revisão: Eugénia Vasques
Fotografia: “Five Years” – 3.º Ano da Licenciatura em Teatro | ramo Atores  © Pedro Azevedo

Escola Superior de Teatro e Cinema | Março 2017

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TEATRO NA EDUCAÇÃO E COMUNIDADE | 2017

A 4ª edição do encontro-TE – Encontro de Teatro na Educação e Comunidade – uma iniciativa conjunta da Escola Superior de Educação (ESELx) e da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), duas unidades orgânicas do Instituto Politécnico de Lisboa – realiza-se nos dias 24  e 25 de março de 2017.

Este Encontro surgiu diretamente ligado aos segundos ciclos de estudos criados nestas áreas em ambas as Escolas: o Mestrado em Teatro – ramo de Teatro e Comunidade (ESTC, desde 2007) e o Mestrado em Educação Artística – especialização em Teatro na Educação (ESELx, desde 2010). Tem como objetivo central a promoção de oportunidades privilegiadas de apresentação e discussão de conceções e práticas em torno da tríade teatro/educação/comunidade.

O programa deste Encontro integra como habitualmente conferências, workshops, espetáculos e painéis temáticos, com a participação de estudantes e docentes, bem como de outros convidados e interessados nestas áreas.

Em cada edição, o encontro-TE tem dado destaque a uma personalidade, cuja obra se distingue no cruzamento dos três eixos que este evento privilegia. Foi assim com João Mota (1ª edição, maio de 2011), Isabel Alves Costa (2ª edição, novembro de 2012, postumamente) e João Brites (3ª edição, novembro de 2014). Nesta 4ª edição, o encontro-TE põe em foco o percurso e a obra de Madalena Victorino, colaboradora da ESELx e da ESTC, recentemente distinguida com o Prémio Universidade de Coimbra 2017.

A participação no encontro-TE é aberta a todos os interessados. 

Modalidades de inscrição:
Modalidade A – Público em geral: 20 euros
Modalidade B
– Estudantes, diplomados, pessoal docente e não docente da ESELx, da ESTC e do IE-UL(protocolo com ESELx): Inscrição gratuita.
Modalidade C – Estudantes, diplomados, pessoal docente e não docente de outras unidades orgânicas do IPL: 10 euros

Opções com refeição nos refeitórios (jantar/ESTC e almoço/ESELx)
– Inscrição + jantar (Modalidade de inscrição + 5€ )
– Inscrição + almoço (Modalidade de inscrição + 5€)
– Inscrição + jantar + almoço (Modalidade de inscrição + 10€)

Em todos os casos, a inscrição é obrigatória, devendo ser concretizada entre 17 de fevereiro e 22 de março.

 Programa | Inscrição

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“Onde Foi a Minha Sorte”

O filme “Onde Foi a Minha Sorte” produzido no âmbito do Seminário de Produção de Filmes II, com realização de Pedro Gonçalves, Argumento de Clara Jost e Produção de Inês Alegre, ganhou a competição nacional do festival CORTEX – Festival de Curtas Metragens de Sintra.

Notícia no semanário Sol: https://sol.sapo.pt/artigo/549893/festival-cortex-onde-foi-a-minha-sorte-de-pedro-goncalves-vence-competicao-nacional

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Ciclo Wagner e o Teatro

Revolução | Impacto | Repercussões

O Círculo Richard Wagner apresenta de março a junho mais um ciclo de encontros, desta vez subordinado ao tema “Wagner e o Teatro.”
Serão convidados para integrar este ciclo especialistas ligados ao teatro, à encenação e à música.

Num dos seus ensaios, Richard Wagner descreveu as suas obras como “atos de música tornados visíveis”. Na verdade, a apresentação cénica das suas óperas esteve sempre ligada à sua conceção. Daí a preocupação apaixonada com que ele acompanhava todos os detalhes dessas apresentações: o canto, a representação, o movimento e todo o aspeto visual cénico, incluindo guarda-roupa e cenários. Foi por essa razão que, dois anos após a morte de Richard Wagner, o mais influente crítico musical do séc. XIX, o vienense Eduard Hanslick, o denominou de “o primeiro regisseur da história”.

 

Mais informações e contactos: Eventos – Goethe-Institut Portugal

 

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Krzystof Kieslowski – Cartazes de Filmes

Está patente na ESTC, de 19 de janeiro a 19 de fevereiro, a exposição “Krzystof Kieslowski – Cartazes de Filmes”.  A exposição, organizada pela Embaixada da Polónia em Lisboa, reúne 30 cartazes de filmes e um resumo biográfico do realizador polaco. A inauguração da exposição foi no passado dia 19 de janeiro, e contou com a presença do Presidente da ESTC, Professor João Maria Mendes, da Representante da Embaixada da Polónia em Lisboa, Anna Piekosz e da dra. Anna Jelnika, especialista na obra de Kieslowski.

Transcrevemos abaixo a intervenção da dra. Anna Jelnika, que faz o enquadramento da vida e obra de Kieslowski, em particular da importância dos cartazes dos seus filmes:

Cartazes de filmes de Kieslowski na ESTC | Por Anna Jelnicka

A exposição agora patente na ESTC, preparada pelo Museu de Cinematografia de Lódz, é constituída por 28 cartazes sobre os filmes de Krzystof Kieslowski oriundos de vários lugares no mundo. Tem como objetivo mostrar a popularidade intemporal do realizador no mundo inteiro. Os cartazes foram criados entre 1976-94 e são de dois tipos diferentes: os cartazes promocionais feitos pelo produtor e os criados especialmente por artistas plásticos. Duas realidades bem diferentes, naturalmente.

Quanto a autores polacos, vale a pena destacar Andrzej Pagowski (considerado por Kieslowski um dos seus favoritos). Algumas das suas obras foram premiadas. Por exemplo, o cartaz do filme “Amador” recebeu o 3° prémio no concurso internacional de cartazes cinematográficos divulgado pela revista “The Hollywood Reporter”, em Los Angeles (1980). No mesmo concurso, foi também destacado o cartaz para o filme “Sorte cega”. O cartaz do filme “Sem fim” foi premiado em maio de 1985 no concurso de melhor cartaz cinematográfico em Varsóvia. No mesmo concurso, 3 anos depois, foi premiado o cartaz sobre o filme “Não matarás”.

Os cartazes promocionais, como para os filmes da “Trilogia das cores“ foram preparados pelo produtor e constituem a maior parte da exposição. Eis algumas citações interessantes de KK:

O cartaz é, para mim, a capa de um livro, a caixa de um disco, a caixa de uns ‘Camel’ ou uma minissaia. É algo que revela e promete – o que só vira a ser importante no seu interior. Contudo, o cartaz em si tem de ter uma grande qualidade. A sua classe testemunha a classe do que ira’ revelar.”

  “Olho para estes anúncios e se forem bons, dão-me vontade de acender um cigarro, tirar o disco, ir ao cinema. Fiquei a saber algo, mas pouco. É essencial: permanece o mistério, algo desconhecido, que só consigo imaginar. Prometeram-me algo, quero descobrir o que.”

Apesar de terem passados 20 anos desde a sua morte, ainda sentimos a presença do criador do “Decálogo”. Talvez agora, paradoxalmente, ele esteja mais presente nas nossas mentes e emoções, do que alguma vez esteve em vida. A sua morte abriu portas para novos debates acerca das suas obras. Aumentou o interesse pela vida e obra do homem, cujos filmes ainda movimentam emoções e despertam o pensamento.

Grandes retrospetivas do seu trabalho foram realizadas em Nova Iorque, Roma, Paris, Moscovo, Varsóvia e Tóquio. Multiplicaram-se conferências e simpósios, livros, álbuns, websites, filmes, espetáculos, composições musicais e plásticas. Ergueram-se escolas, prémios e festivais com seu nome. Programas de televisão em Espanha, Suíça, Polónia e Alemanha animaram discussões inspiradas no “Decálogo”. Finalmente os críticos identificaram este fenómeno de popularidade – temos “o culto de Kieslowski”. Permanece até hoje. Manifesta-se tal como dantes, com várias festas, exibições de filmes e discussões, e com a participação de gerações mais novas. De onde vem esta popularidade? Não é uma pergunta fácil, pois existem várias respostas. A mais relevante? Talvez porque os seus filmes são intemporais, não envelheceram e são sempre considerados atuais. Cada espectador identifica nos filmes alguns dos seus próprios problemas.

Em junho, 2016, em Wroclaw, durante o evento “Kieslowski i kino moralnego niepokoju” mostraram “Cicatriz”, “Amador”, “Sorte cega” e “Sem fim”. Estas antigas produções, criadas entre 75-85, despertaram um interesse genuíno.

Kieslowski morreu com apenas 55 anos, deixando-nos uma variada coleção de 50 filmes. Quando se assiste aos filmes por ordem cronológica, podemos observar as suas reações à realidade que o inspirava, como mudava e se desenvolvia, como aperfeiçoava o seu trabalho. Observamos a sua sensibilidade não só artística mas também humana, enfim, a sua paixão pelo ser humano. O seu interesse não era para com a multidão, mas sim para o homem singular e o seu relacionamento com este mundo, com as autoridades, a sociedade, a família e os amigos. Era um realizador humanista, sobretudo um realizador da própria alma humana. Era um falador introvertido. Não através das palavras ou gestos, os quais usava com grande moderação, mas sim através dos seus filmes abrindo assim uma discussão que ainda hoje continua.

No dia a seguir à sua morte, vários artigos mencionava Kieslowski como “herdeiro dos melhores” – de Bergman, Fellini, Rossellini, Ozu, Tarkowski ou Renoir”. “Renovou as melhores tradições do cinema europeu”. Dizia o produtor da trilogia – Marin Karmitz: “foi alguém que nos devolveu a esperança no homem e na superioridade da humanidade sobre a barbárie.” Um publicista italiano, Tullio Kezich escreveu no “Corriere della Sera”: “Kieslowski será relembrado como o maior realizador de todos os tempos; os seu filmes ensinaram-nos que atrás de cada janela há sempre uma história que merece ser observada, analisada e respeitada”. E na Berlinale de 2006, disse o professor Gesin Schwan, da Universidade em Frankfurt: “apesar do mundo estar sempre a mudar, precisamos dos filmes de Kieslowski hoje, mais do que nunca.

Porque hoje mais do que ontem? Será porque na era de mundos virtuais é sempre mais difícil falarmos dos temas mais elementares ou espirituais? Ou porque o cinema do século XXI  se afastou das nossas próprias preocupações? Se calhar o turbilhão tecnológico e mediático em que vivemos, com over load de estímulos e informação, deixa-nos algo cegos e perdidos. Nestas circunstâncias os tranquilos filmes de Kieslowski fazem sentido e permitem uma reflexão.

Nos seus filmes, Kieslowski considerava as personagens como fossem pessoas verdadeiras, preocupava-se com eles, amava-as verdadeiramente. Empatia essa presente em todas as suas obras. Não encontramos mentiras, mimetismos, ações que estão na moda, fantasias, mas sim a pura e honesta realidade, demostrada por um talentoso observador. Talvez mais ainda – encontramos a disponibilidade para perdoar. Não são muitos os artistas que aceitam as palavras de Albert Camus: “no final, o homem é sempre absolvido”. Camus foi para Kieslowski uma grande inspiração. Durante as filmagens de “Sem fim” tinha sempre o seu romance A peste debaixo do braço.

Deste o início e ao longo dos anos, demonstrou uma contínua ansiedade metafisica. Daqui nasceu a sua perpétua pergunta sobre o papel do puro acaso nas nossas vidas. Com o tempo, esta questão voltou a ser colocada, por exemplo em “Decálogo”, “A dupla vida de Véronique”ou “A trilogia das cores” e transformada na análise da natureza do destino. Kieslowski mantém forte inquisitivitade na descoberta da verdade, da qual conseguia ver apenas uma sombra. Tem sensibilidade e uma certa humildade perante o sofrimento. Muitas vez dizia: “O que mais me inspira é o que me rodeia e as vidas das pessoas”.  Os seus filmes são marcados pela autenticidade e sinceridade das personagens, enquanto o autor continua a sua busca de respostas a perguntas universais e intemporais sobre o homem e a sua natureza.

Da perspetiva de hoje notamos também que o seu trabalho está fortemente ligado à sua atitude. Dizia ele: “Só um homem honesto pode fazer um filme honesto”; e constantemente tentava permanecer fiel a esse lema. Um dos pontos essenciais do seu pensamento e trabalho era a observação da sua própria vida. Para realizar os seus objetivos dava tudo o que tinha, toda a sua personalidade. Manteve-se firme por detrás das suas obras, tal como o seu companheiro espiritual Saint-Exupéry fazia.

O que mais conta, afinal, é que o trabalho de Kieslowski continua a ser apreciado bem como a sua técnica. Essa é simples – consta na cuidadosa análise, como ele dizia, “do que permanece suspenso entre o céu e a terra”, ou seja um confronto entre uma ideia ou um valor e o seu papel nas nossas vidas.

O criador da “Trilogia” não tinha medo de confrontar as ideias fundamentais da cultura europeia com a realidade que o circundava. Verificava como estes ideais – tão declarados publicamente – funcionam na prática, na vida de cada pessoa. Estas verificações, bem presentes nos seus filmes, são elemento essencial do valor da sua obra. Provocaram e provocam intensas discussões e reflexões sobre a liberdade, a fraternidade e a igualdade, bem como sobre o amor e o ódio, ou ainda sobre o crime e o seu castigo. Ou antes sobre o que é misterioso, fugaz ou invisível.

A habilidade extraordinária de Kieslowski residia na sua capacidade de entrar num mundo aberto aos filósofos ou aos grandes escritores sem cair no moralismo. Sem nos dar um sermão, mas permanecendo sempre um de nós, ou seja, um observador atento a contradições, ambiguidades e paradoxos. Fazia-o de maneira aguda e saturada de verdade emocionante. Durante toda a sua vida profissional teimosamente e de forma consistente preguntou: “Como viver? Esta pregunta abriu e abre ainda hoje o caminho ao público que circundado pela banal e brutal cultura audiovisual procura estímulos para a contemplação. É indubitavelmente difícil encontrarmo-nos nas fascinantes produções de fogos artificiais, de beleza ficcional, de super-ações de velocidade inacreditável. Se calhar é esta a razão por qual voltamos as grandes obras de cinema do autor como se fossem a fonte da vida.

É importante que não desapareça a fé que temos no cinema, como ferramenta de aprendizagem e profunda reflexão sobre os emaranhamentos do destino humano. Que não percamos a esperança na arte cinematográfica como meio que protege humanismo dentro de nós. Que pode constituir uma ponte para uma melhor compreensão individual de cada um de nós. Nesta perspetiva, os filmes do pessimista Kieslowski são um apoio e uma importante referência. A marca que deixou em nós reflete as grandes palavras de Luís de Camões:  “Aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”

Cartaz da Exposição | Catálogo da Exposição

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