EXPOSIÇÃO | Lervitar

15 NOV A 31 JAN | ESTC Espaço Polivalente

A EXPOSIÇÃO
Esta exposição nasceu de um desafio colocado ao fotógrafo Rodrigo de Matos, pela biblioteca universitária da FCT/UNL, subordinada ao tema «biblioteca» e seus utilizadores.
Pretendeu-se com esse desafio dar asas ao imaginário da leitura e fazer nascer um conjunto de imagens originais, não convencionais e inspiradoras, não só em torno do espaço biblioteca, mas também dos seus destinatários, os leitores, e do prazer e capacidade de evasão que a leitura pode proporcionar.
Rodrigo de Matos, com a colaboração de seis aluno(a)s da FCT- UNL, inspirado na ideia de Ler levitando (LERVITAR), sugere com esta exposição uma «insustentável leveza do ler», através de seis imagens que nos fazem adivinhar o prazer e o poder da leitura.

SOBRE A EXPOSIÇÃO
Uma biblioteca não é apenas um espaço material: é, sim, uma espiral imaterial, pedra vertical e caminho ascendente. Uma biblioteca não é apenas uma espiral: é também um labirinto de palavras. Convida-nos a um discreto levitar do corpo, ao movimento perpétuo das ideias, aos miradouros invisíveis do nosso coração pensante.
Uma biblioteca não guarda apenas livros: é, antes, guardiã de livros cujos trajectos reluzem na mente do leitor. Uma biblioteca não alberga apenas livros: amplia o horizonte interior de quem busca e indaga. Um livro revela a radiografia de um voo. Assim, uma biblioteca não sacia tão-só a sede de conhecimento, mas, sim, alimenta-a e intensifica-a.
Um livro não é apenas uma refeição: para o espírito, é um banquete sem fim. Um livro não é apenas um objeto: é, sobretudo, um pedaço de inteligência em perpétuo movimento. Um livro não procura apenas uma mente liberta: produz uma mente em queda livre. O seu destino final reside no olhar transformado de quem lê. E quem lê – quem sabe ler bem – é um peregrino que a paixão faz levitar, um corpo dançante, um coração leve como o vento – um vento sagaz que suspende a gravidade e eleva o ser. Fernando Pessoa, em carta datada de 11 de dezembro de 1931 dirigida ao amigo João Gaspar Simões, ao explicar a natureza da sua personalidade artística, escreve:
«Voo outro – eis tudo.»
Por que não voamos como o Poeta? Afinal, «voar outro» é simplesmente outro modo de sermos nós próprios: viajantes sem fim. As belas fotos de Rodrigo de Matos convidam-nos, tal como as palavras do Poeta, a olhar diferentemente o mundo material e imaterial que doravante e para sempre se entrega ao nosso olhar extasiado.
Então, vamos voar?
Christopher Auretta DCSA / FCT Nova

CV (RODRIGO DE MATOS | 1985)
Fotógrafo desde 2008, embora o seu primeiro contacto com a fotografia tivesse começado antes, aos 12 ou 13 anos de idade, por influência de seu pai que também fora fotógrafo. Quando estava já no segundo ano do curso de mestrado integrado em Engenharia Física na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, formou-se em fotografia pelo IPF (Instituto Português de Fotografia).
Trabalha atualmente como fotógrafo freelancer em publicidade e moda, com trabalhos publicados em livros, revistas, cartazes e outros meios de comunicação e imagem.

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