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A Escola Superior de Teatro e Cinema assinala com profundo pesar o falecimento do seu professor António Casimiro, notabilíssimo cenógrafo e figurinista, figura maior das artes do espetáculo em Portugal, cujo percurso singular e marcante deixou uma impressão muito relevante no teatro, no cinema e na televisão.

Como cenógrafo, como cenografista, como figurinista, como pensador de espaços que foram vividos por atores, cantores e bailarinos ele alcandorou o seu trabalho a um ponto muito alto e na sua geração, até pela diversidade do seu trabalho, não foi suplantado, tendo trabalhado nas salas mais prestigiadas de Portugal, nomeadamente nos três teatros nacionais, D. Maria II, São Carlos e São João. Um dos momentos altos da sua carreira foi a frutuosa colaboração, de mais de uma década, com o realizador Manoel de Oliveira, para quem concebeu, entre outros, os cenários para o filme Le Soulier de Satin. Foi ainda professor na Escola Superior de Teatro e Cinema. Aqui soube tornar-se num importante pedagogo, tendo influenciado as várias gerações de cenógrafos que formou. Importa referir que, não esquecendo as técnicas tradicionais, introduziu no currículo de Realização Plástica do Espetáculo a "Cenografia Virtual", sendo, assim, um dos responsáveis pelo lançamento das bases do ensino da cenografia para o século XXI.

No Teatro, António Casimiro assinou cenografias para espetáculos emblemáticos como As Espingardas da Mãe Carrar, A Boa Pessoa de Setzuan, Retrato de Uma Família, Portuguesa, Vermelho, entre muitos outros, que revelaram a sua sensibilidade plástica e bom gosto. Colaborou com alguns dos mais relevantes encenadores portugueses, como Artur Ramos, Jorge Listopad, João Mota e, muito particularmente, João Lourenço. No Cinema, contribuiu para filmes de relevância histórica da cinematografia portuguesa como A Promessa, Benilde ou a Virgem Mãe, Francisca ou Os Abismos da Meia-Noite, colaborando com realizadores como Manoel de Oliveira, Artur Semedo e António de Macedo. Na Televisão, a sua obra estendeu-se a produções marcantes como as séries e telefilmes como Os Maias, Tragédia da Rua das Flores, Os Imigrantes, Médico de Família, Jardins Proibidos, Lusitana Paixão e Conta-me Como Foi, além de programas populares como o célebre Roda da Sorte, em formatos variados que moldaram visualmente décadas de emissão televisiva em Portugal. Foi, além disso, o primeiro cenógrafo português a colaborar com a TV Globo no Rio de Janeiro.

Foi alguém que marcou a comunidade artística não apenas pela qualidade e consistência do seu trabalho, mas também pela sua generosidade, espírito colaborativo e permanente curiosidade criativa. O seu entusiasmo pelas artes, a sua exigência profissional e a sua disponibilidade para partilhar saberes tornaram-no uma referência.

À família, aos amigos, aos colegas e a toda a comunidade artística, a Escola Superior de Teatro e Cinema apresenta as mais sentidas condolências, prestando homenagem a um criador cuja memória permanecerá sempre viva no importante património artístico que deixa.