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Dia Mundial do Teatro 2026 | Celebrando António Casimiro

Data do evento
24 de Março de 2026 - 31 de Março de 2026
Hora
12:00 - 00:45
Local
Organização
Departamento de Teatro - ESTC

No Dia Mundial do Teatro de 2026 celebraremos a vida e trabalho de António Casimiro relembrando o Designer da Cena no Catálogo da última Exposição realizada de 8 fevereiro a 22 de março de 2022, na Escola Superior de Teatro e Cinema, no Espaço Almeida Garrett.

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2026

Autor - Willem DAFOE, EUA (Ator, criador de teatro)

Sou um ator conhecido sobretudo pelo meu trabalho no cinema. Mas as minhas raízes estão no teatro. Fiz parte do Wooster Group de 1977 a 2003, criei e apresentei peças originais no The Performing Garage, em Nova Iorque, e em digressões pelo mundo. Trabalhei também com Richard Foreman, Robert Wilson e Romeo Castellucci. Agora, sou o Diretor Artístico da Bienal de Teatro de Veneza. Este encargo, os acontecimentos no mundo, e o meu desejo de voltar a trabalhar no teatro reforçaram profundamente a minha convicção no especial poder positivo e importância do teatro.

No início da minha modesta carreira no Wooster Group, Companhia de teatro sediada em Nova Iorque, acontecia-nos frequentemente ter muito pouco público em algumas das representações. Muitas vezes, a regra era, se houvesse mais atores do que espectadores, podíamos optar por cancelar. Mas nunca o fizemos. Muitas das pessoas da companhia não tinham formação em teatro -- eram de outras áreas e juntavam-se para fazer teatro -- por isso “the show must go on” não era propriamente a nossa divisa, no entanto, sentíamos a obrigação de manter o nosso compromisso com o público.

Costumávamos ensaiar durante o dia e, à noite, apresentávamos o trabalho ainda em progresso. Por vezes, passávamos anos com um espetáculo, sustentando-nos com as digressões de peças mais antigas. Trabalhar durante anos numa mesma peça tornava-se muitas vezes penoso e os ensaios algo fastidiosos, mas as apresentações de trabalho em progresso eram sempre excitantes -- mesmo que o pouco público fosse já um julgamento expressivo do interesse no que estávamos a fazer. Mas isto fazia-me perceber que, fosse qual fosse o número de pessoas, o público como testemunha dava ao teatro o seu sentido e vida.

Tal como diz o letreiro nas salas de jogo: “É PRECISO ESTAR PRESENTE PARA GANHAR”, também a experiência partilhada em tempo real de um ato de criação, que pode ser organizado e encenado, mas que é sempre diferente, é sem dúvida o ponto forte do teatro. Socialmente, politicamente, o teatro nunca foi tão importante e vital para a compreensão de nós próprios e do mundo.

O “elefante na sala” são as novas tecnologias e as redes sociais que prometem conexão mas que, com toda a evidência, fragmentam e isolam as pessoas umas das outras. Eu uso todos os dias o meu computador, mesmo não tendo redes sociais, fiz pesquisas no Google sobre mim enquanto ator, e também recorri à IA para obter informações. Mas é preciso estar cego para não reconhecer que o contacto humano corre o risco de ser substituído pelas relações com dispositivos. Embora alguma tecnologia nos possa servir bem, o problema de não sabermos quem está do outro lado do circuito de comunicação é muito importante e contribui para uma crise de verdade e de realidade. Se a Internet pode levantar questões, raramente consegue captar a sensação de encantamento que o teatro cria. Um encantamento baseado na atenção, no envolvimento de uma comunidade espontânea, e dos que estão presentes num círculo de ação e resposta.

Como ator e criador de teatro, continuo a acreditar no poder do teatro. Num mundo que parece tornar-se cada vez mais dividido, controlador e violento, o nosso desafio, enquanto criadores de teatro, é evitar a corrupção do teatro, como mera empresa comercial dedicada ao entretenimento pela distração, ou como fria instituição conservadora das tradições, mas, em vez disso, deve fomentar a sua força para unir pessoas, comunidades e culturas e, acima de tudo, questionar para onde estamos a ir…

O grande teatro desafia a forma como pensamos e encoraja-nos a imaginar aquilo a que aspiramos.

Somos animais sociais, biologicamente concebidos para interagir com o mundo. Cada órgão sensorial é uma porta de entrada para o encontro e, através desse encontro, alcançamos uma definição maior de quem somos. Através da ficção, da estética, da linguagem, do movimento, da cenografia -- o teatro, como forma de arte total pode mostrar-nos o que foi, o que é e o que o nosso mundo poderá vir a ser.